Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens

sábado, 15 de setembro de 2012

Marillion: A carreira da banda passada a limpo


  
Esse texto, sobre a banda de rock progressivo Marillion, talvez não seja direcionado para seus fãs. Devo dizer que ele será mais útil talvez para os que se surpreenderam com o novo disco, Sounds That Can't Be Made (2012). Ou para os que pretendem ir nos shows que eles farão no Brasil em outubro (depois de mais de dez anos sem pousar aqui). Imagino que servirá também para os que só conhecem seus grandes hits, como 'Kayleigh' e 'Lavender'. E decerto pode agradar a quem busca um guia de referências para a história da banda.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Capas personalizadas de DVDs – parte 2


Nesse tutorial, vou ensinar como fiz a capa de um DVD que criei (para uso pessoal, não comercial) da banda Kings of Convenience (clique abaixo para ver a capa maior).

Quem são os Kings of Convenience? Descubra aqui.

 
Duas coisas que você precisa ter em mãos (melhor dizendo, precisa ter no PC) para fazer as capas, além dos programas necessários, são um bom pacote de fontes, e um bom pacote de texturas. Você encontra tanto um quanto o outro na internet de diversas maneiras, em boas opções gratuitas. Ainda sobre as fontes, uma busca rápida no google vai ensinar como salvar as fontes no PC, algo que deve ser feito antes de usá-las.

Enfim, você pode pensar num layout funcional para a sua capa de duas formas: uma, é criar um visual a partir da fonte que você achar mais bacana. Por exemplo: se você cismou que quer fazer uma capa com uma fonte de estilo meio "clássico", você pode usar texturas mais clássicas (como fundos tipo madeira, palha, mármore, etc.), bordas clássicas, e tudo o mais para combinar com a fonte.

Ou você pode escolher a textura e ir testando as fontes em seguida, para ver qual combina melhor. Foi essa a alternativa que eu fiz, mas é uma saída mais preguiçosa, e pode te levar a resultados finais meio estranhos. No fim, acabei ficando satisfeito, e como as capas que criei não tem pretensões comerciais (mesmo tendo atraído o interesse de algumas pessoas que mostrei), então não me preocupei com a coerência total do visual dessas capas.

Preciso dizer que eu nunca fiz cursos profissionais de desenho ou mesmo de design. Sou autodidata nessa área, e minha escola é quase sempre a internet mesmo. Trabalho intuitivamente, tentando relativizar os resultados visuais com minha bagagem teórica de outras áreas. Acho que isso torna a aventura de criação de capas um tanto quanto interessante; é como pular de para-quedas sem a proteção necessária (mas sem o risco de se estatelar no chão, afinal, fazer uma capa de DVD é algo aparentemente inofensivo). Não é um caminho confiável, e vários erros acabam aparecendo, mas isso tudo depende do que você quer alcançar nos resultados do seu trabalho.

Usando o acaso a seu favor

Quando fui fazer a capa do Kings of Convenience, por exemplo, eu tinha idéias pré-concebidas do que queria fazer. Nada muito definido, mas havia pensado em algumas coisas. Entretanto, ao procurar as imagens para a capa, me deparei com dois desenhos tão bons, que eles acabaram mudando todos os meus planos. Foram feitos por fãs aparentemente "anônimos", mas muito talentosos. E ambos tem uma tonalidade meio marrom, meio amadeirada. Como gostei deles, acabei criando a capa baseada nessa tonalidade de cor.


Chequei um pacote de texturas que tenho no PC, e achei duas texturas de fundo que acabei usando, ambas marrons. Na parte frontal, como o tom marrom de ambas era semelhante, fiz uma borda branca para dar a diferença. Percebam que a textura usada na parte da frente é de um marrom mais escuro que o da parte traseira da capa.


Atrás, usei essa textura de marrom claro, que me permitiu não só usar o desenho dos violões abaixo sem precisar de bordas, mas também usar uma cor marrom escura para o nome das músicas. Se fosse uma textura escura demais, não ficaria legal usar fontes marrons ou pretas (talvez eu teria que usar fontes brancas). Como não usei as bordas brancas no desenho, aproveitei para usá-las na foto dos dois integrantes do Kings.

Sobre o desenho, devo mencionar alguns recursos bem legais que utilizei: primeiramente, ele é originalmente bem maior, como vocês podem ver logo abaixo:


Para caber bem na contracapa, eu o recortei, deixando os dois violões em destaque, saindo da moldura do desenho. Além de se integrar ao espaço disponível, isso evidenciou o belo recurso que o desenhista usou na cabeça do violão, desenhando duas coroas (uma alusão ao nome da banda).

Para preservar o estilo do desenho evitei ao máximo ter que "redesenhar" em cima do trabalho original. Então recortei a borda superior do desenho, e a coloquei mais abaixo, onde recortei o desenho. Apaguei alguns pedaços dela, onde os violões "saem" do quadro, e como não teve jeito, redesenhei as bordas (para anular o aspecto "recortado" em que elas estavam).



Em seguida, fiz um sombreado abaixo do desenho, que sugere idéia de profundidade. Usei esse mesmo recurso no título frontal da capa, mas por motivos diferentes: a fonte que usei deixava o nome da banda muito confuso. Por isso, o sombreamento tinha como intenção reforçar as letras. Também com essa intenção eu fiz um sombreado com cores brancas dentro das letras do título.

Esses excessivos recursos que usei no título da capa foram uma verdadeira gambiarra, que se deveu ao fato de eu ter simpatizado com essa fonte. Queria usá-la de qualquer jeito, mesmo achando que ela parecia muito confusa. Na minha teimosia, utilizei então desses artifícios, e só vim a perceber esse equívoco depois que imprimi a capa.

Por preguiça, não a refiz, e deixei assim. Como é uma capa de uso pessoal, acabei não sendo tão perfeccionista. Mas é sempre válido nessas situações imprimir versões de teste e ver como sua arte fica no papel. A impressão é sempre transformadora, e te mostra detalhes que o monitor esconde. Principalmente sobre as cores, que podem parecer de um jeito no computador, mas no papel ficam mais claras ou mais escuras (esse problema das cores aconteceu na capa que fiz para o Fleetwood Mac, da qual vou comentar a respeito em outro post).

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Os Baby Beatles - Parte 1


Difícil encontrar alguém que nunca ouviu falar de John, Paul, George e Ringo. Só os primeiros nomes já são suficientes para adivinhar o resto. Mas se falarmos de nomes como Julian Lennon, Sean Ono Lennon, James McCartney, Stella McCartney, Dhani Harrison, ou Zak Starkey... faz idéia de quem sejam?


Neste texto, dou uma geral sobre os filhos dos Beatles, que carinhosamente (ou ironicamente) chamo de Baby Beatles. Todos se aproveitam dos famosos sobrenomes, algo quase inevitável. Os famosos rebentos não poderiam passar ilesos nem se quisessem.


Mas não digo isso pejorativamente. Alguns deles herdaram mais que a alcunha nas certidões de nascimento: herdaram um notável e impressionante talento de seus pais.


A parte 1 trata dos filhos de Lennon, que são as crias com maior destaque no universo pop. Na parte 2, comentarei a vida e obra dos outros filhotes de Paul, George e Ringo.


Parte 1 – Baby Lennon’s


Julian Lennon



Na minha opinião é o mais talentoso, e certamente o mais injustiçado baby. Afinal, foi ele que puxou o carro da ilustre prole beatlemaníaca. Julian é filho de John e Cynthia Powell, a primeira esposa do falecido beatle.


Vocês se lembram da canção Hey Jude? Originalmente ela se chamava “Hey Jules”, e foi composta por Paul McCartney para o filho de Lennon, na época parceiro nos Beatles.


Se o primeiro filho de John herdou o carma atribulado do pai (lar despedaçado, pai ausente, pecha de artista atormentado), pode-se dizer que a capacidade de compor belas músicas também veio de brinde. Seu primeiro disco, Vallote (1984), é um clássico instantâneo, que revelava um promissor intérprete e compositor (ouça aqui a belíssima faixa-título do disco).


Infelizmente, o rapaz talvez não soubesse em que mato estava se metendo quando deu o start em sua carreira. O cenário musical e a mídia da década de 80 começavam a esboçar um formato ainda atual, calcado no culto à celebridade e a sede de lucro sobrepujando a música em si. Figuras como John Lennon tentavam se reinventar nessa insípida realidade de uma geração yuppie, para quem as utopias dos hippies não diziam muita coisa. Contudo, se Lennon disse uma vez que o sonho havia acabado, Mark Chapman tratou de enterrá-lo de vez.


Três anos após a tragédia que entristeceu o planeta, eis que surge um Lennon filhote: jovem como o pai na época dos Beatles, e talentoso na medida certa. Seu visual e voz transfiguravam o pai com uma perfeição assustadora. Isso já bastaria para jogar sobre os ombros de Julian (lembram da letra de Hey Jude? “don’t carry the world upon your shoulders”) uma pressão imensa (veja aqui o primeiro single de sucesso de Julian, Too Late for Goodbyes).


E além disso, ele ainda por cima foi o primeiro baby beatle a ter um trabalho artístico divulgado em maior escala. O resultado não podia ser diferente: foi atacado por todos os flancos. Ainda que Paul e George mostrassem um público apoio em defesa à Julian, o pobre rapaz não foi poupado. O resultado pode ser notado na mediocridade de seus discos subseqüentes, como The Secret Value of Daydreaming (1986) e Mr. Jordan (1989), que provavelmente são frutos de uma queda livre emocional embalada pelo alcoolismo.


Julian só mostrou sinais de vida inteligente ao lançar, em 1991, Help Yourself, com produção de Bob Ezrin (que produziu discos como The Wall, do Pink Floyd). É um disco com bons momentos, e pelo menos uma grande música, o hit Saltwater.


Mas a boa forma só surgiria sete anos depois, no disco Photograph Smile (1998). É um grande disco, pelo menos na minha opinião. Tem pegada, boas composições, e é mais despojado que seu grandiloquente álbum anterior (Veja aqui uma faixa ao vivo, I Don’t Wanna Know) . Me lembra muito algumas musicas dos Tears for Fears na fase pós-Elemental, ainda mais pelo som das guitarras. Vale lembrar que Roland Orzabal (líder dos TFF) e Julian são grandes amigos. (veja aqui Julian tocando Stand By Me com Orzabal)


Parece que Julian lançou um EP agora em 2010, chamado Lucy, com quatro músicas inéditas. Também encontrei menções à um disco que já estaria pronto mas que não foi lançado ainda, chamado Everything Changes.


Sean Lennon




Sean Ono Lennon, diferente de Julian, sempre teve uma boa relação com a imprensa. Sempre foi incensado, e considerado um sujeito “antenado” com artistas de vanguarda (assim como a mãe, Yoko). Enquanto Julian viu John poucas vezes em toda a sua vida, - se tornando quase obcecado por ele (veja essa chocante entrevista, onde Julian, sem saber que é filmado, detona e exalta o próprio pai) - Sean viveu com o pai até seus cinco anos, e presenciou seu assassinato em frente ao edifício Dakota, naquele fatídico dezembro de 1980.


A ligação entre Sean e John é mais intensa do que parece: depois do casal Lennon passar por crises de abstinência em heroína e por tentativas frustradas de ter filhos (Yoko abortou várias vezes), além de tentativas do governo Reagan de extraditá-los dos Estados Unidos, eis que Sean nasce. Saudável, na época em que o visto da família é renovado, e o melhor: e no mesmo dia do nascimento de John.


Além de seus álbuns solo, Sean já tocou com muita gente boa. A “mamãe” Yoko foi a primeira, seguida de gente como Burt Bacharach, Medeski Martin & Wood, Lenny Kravitz, e até com os brasileiros Vinicius Cantuária, Tom Zé e os Mutantes.


Particularmente, eu achava ele um chato, metido a vanguardista e agitador cultural. Vislumbrei uma luz no fim do túnel quando tive contato com suas ilustrações (que podem ser conferidas em seu site oficial), e depois calei-me ao ouvir seu lançamento mais recente, Friendly Fire, de 2006.


A tristeza do término de um namoro parece ter feito o moleque se revelar: compôs as músicas, tocou todos os instrumentos, e até desenhou a capa do disco. Tudo de forma impecável. Aguardo ansiosamente seus próximos trabalhos.


Ah, vale lembrar que há alguns anos, Sean e Julian voltaram a se falar, depois de anos brigados.


------ x ------


Em breve, a parte 2, onde falarei de Zak Starkey, James e Stella McCartney, e Dhani Harrison.


sexta-feira, 12 de março de 2010

Resenha - The Blue Nile

Esses dias, descobri uma banda chamada The Blue Nile por um motivo quase trivial: lendo uma matéria dos discos prediletos dos integrantes do Marillion (uma banda da qual gosto cada vez mais, e em breve escreverei sobre isso no blog), percebi que dentre dez discos citados pelo vocalista Steve Hogarth, dois são do BN.



Minha curiosidade ia aumentando na medida em que percebia a escassez de informações sobre a banda na internet. Alguns sites definiam seu som como soturno ou melancólico, outros como introspectivo e minimalista. Mas o que chama a atenção é o fato de, num período de mais de vinte anos, eles terem lançado apenas quatro discos.


Por fim, ainda que não fosse tão bom e genial quanto o que algumas resenhas afirmavam, pelo menos eu fiquei instigado o suficiente para ouvir e tirar minhas próprias conclusões.




Feito isso, confesso que o som me agradou bastante. Me lembrou as canções mais intimistas de alguns discos que já ouvi muito no passado, como Both Sides, do Phil Collins (um de seus discos menos xaropes e mais introspectivos), ou algumas baladas dos anos 80 e da era do tecnopop.


A voz de Paul Buchanan me lembra tanto alguns momentos do Paul Carrack (artista pop e vocalista da banda Mike and the Mechanics) quanto o timbre do Brendan Perry (o vocal masculino do Dead Can Dance). As semelhanças, no entanto, não são depreciativas; muito pelo contrário. Os vocais emocionados de Buchanan é um dos pontos altos do Blue Nile.



Uma boa resenha que achei no site Whiplash comparava o álbum Hats, de 1989, à algumas coisas novas do Marillion. Alguns ecos podem ser mesmo notados, mas eu acho que os discos antigos do Blue Nile estão mais próximos de coisas do pop de sintetizadores típico da década de 80. Mas não pense nos sons datados de churrascaria: a obra desses escoceses resume o lado de maior bom gosto do universo oitentista. Em suma, estaria mais para um Vangelis do que para uma Bonnie Tyler ou uma Cyndi Lauper, por exemplo.


Dos quatro discos deles, até agora gostei mais do High, que além de ser o mais introspectivo, me lembra algumas coisas de lounge que eu gosto. Um dos singles do disco, Soul Boy, é um típico tema lounge do mais alto calibre. Fora que esse disco tem um equilíbrio maior entre cordas e sintetizadores que os outros.


A banda continua na ativa, com apenas dois dos três membros originais, Paul Buchanan (vocal e guitarra) e Robert Bell (baixo e teclados). Na lista de colaborações dos caras, se contabilizam nomes como Julian Lennon (em breve, escreverei um texto sobre os “baby beatles”), Maire Brennan (do Clannad, irmã de Enya), Rickie Lee Jones (a Joni Mitchell dos anos 80. Mas e a Suzanne Vega? Essa estaria mais para um Leonard Cohen de saias!), Annie Lennox (Eurythmics), Peter Gabriel, e até com Mel C. (ex-Spice Girls).


Uma curiosidade: o primeiro disco do Blue Nile, A Walk Across the Rooftops, é o no 521 na lista dos 1001 Discos Para Se Ouvir Antes de Morrer, de Robert Dimery.