terça-feira, 9 de abril de 2013

O Lobo das Vertentes - um ensaio sobre Toninho Ávila



Faz tempo que quero escrever um texto sobre a vida e obra do amigo Toninho Ávila, também conhecido como Lobo Bruxo. Na verdade, nesse tempo que já completa mais de meia década de amizade (all things must pass...), creio que esse texto já vinha sendo escrito, inconscientemente. Faltava só passar para o papel (ou para a tela do computador).

Quando me refiro a vida e obra do Lobo, não pretendo me aventurar em redigir biografias. Quero dizer que em torno da sua figura carismática e peculiar, parece difícil distinguir o que é vida e o que é obra. Porque não se nota essa "quebra" entre o que Toninho expressa artisticamente e o que ele atravessa no cotidiano. Seu viver diário é arte; e sua arte fala do viver: ele habita em ambos, o tempo todo.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Cantando e Decantando "Paisagem da Janela"



Foto: Teresa Duarte - Flickr da autora
O que é um mito? Para que serve? Há quem diga que o mito engana, e que acreditar em um Zeus no Olimpo como os gregos, ou em um Deus-Sol como os índios das américas, é ser alienado da realidade, dos fatos concretos. O que é mais estranho: os mitos, ou os fatos concretos? Depois da relatividade de Einstein, dá pra falar em coisas concretas? E mais: quem disse que os mitos não são fatos?

Prefiro a definição de Joseph Campbell, que diz que "nos mitos, encontramos personagens que ressoam dentro de nós, e usamos os mitos para criar ordem a partir da nossa própria experiência1". Obras de arte podem criar e recriar mitos, podem fazê-los ressoar em corpos, mentes, corações e espíritos.

Nessa ótica, os mitos da mineiridade tem muito a dizer para quem quer apreender tais significados. Mais que uma bela melodia assobiável, a canção "Paisagem da Janela" é um veículo de diversos mitos mineiros, e o fato de seu significado ser meio vago possibilita diversas e amplas leituras. Arriscarei a minha.

domingo, 28 de outubro de 2012

Como matei Ray Bradbury

(baseado em fatos reais, e em uma dica de Pablo Gobira)


             Antes de mais nada, devo contextualizar a questão para o juri. Dizem que o ABC da ficção científica era composto por Asimov, Bradbury e Clarke. O A e o C já haviam batido as botas e se tornado lendas. Na noite do dia 05 de junho, o B era ainda a única divindade viva dentro do gênero. Ainda não era um deus ex-machina.

sábado, 15 de setembro de 2012

Marillion: A carreira da banda passada a limpo


  
Esse texto, sobre a banda de rock progressivo Marillion, talvez não seja direcionado para seus fãs. Devo dizer que ele será mais útil talvez para os que se surpreenderam com o novo disco, Sounds That Can't Be Made (2012). Ou para os que pretendem ir nos shows que eles farão no Brasil em outubro (depois de mais de dez anos sem pousar aqui). Imagino que servirá também para os que só conhecem seus grandes hits, como 'Kayleigh' e 'Lavender'. E decerto pode agradar a quem busca um guia de referências para a história da banda.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Liz X Lisa: as musas opostas do ethereal



Música ambiente, new age, eletrônica e doses de indie rock: estes talvez sejam os ingredientes do ethereal, um estilo musical tão pouco difundido quanto instigante.

Também conhecido como dream pop ou darkwave, os artistas desse gênero fazem com canções o equivalente ao que impressionistas como Van Gogh ou Monet faziam na pintura. Suas marcas registradas são sonoridades esparsas, cheias de efeitos como reverb e delay, que prolongam as notas e dão uma idéia de largos espaços vazios, solitude, distanciamento do mundo material e cotidiano. Há também quem vincule o ethereal à música gótica (ou gothic rock).

Os dois maiores nomes do gênero são os Cocteau Twins e o Dead Can Dance. Apesar de se abarcarem sob as asas de um mesmo estilo, são duas bandas que me parecem muito diferentes. A começar por suas principais vocalistas, extremamente opostas entre si.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Texto - Esquinas Progressivas


Na coluna que mantenho no site Progshine, publiquei essa semana um ensaio sobre o rock progressivo e o Clube da Esquina. É a primeira parte de duas (a segunda estará no ar no próximo domingo).

No texto, eu identifico alguns momentos da carreira dos principais nomes do Clube (Milton Nascimento, Beto Guedes, Flávio Venturini, etc.) onde eles se utilizaram de elementos do rock, mais especificamente na sua vertente progressiva

Confiram lá (e comentem, lá ou aqui!)

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Resenha – Clockwork Angels (Rush – 2012)


Tarefa intrincada a de escrever algo no calor dos acontecimentos. Por um lado, não se tem o distanciamento necessário para analisar friamente seu alvo. Porém, a paixão que motiva a escrita fornece rico combustível em si mesma - lenha e calor dentro da mesma locomotiva, um trem fascinado com os próprios vapores.

Ao longo de 2011 e início de 2012, fãs e admiradores da banda canadense Rush se encontravam acometidos de uma imensa espectativa – desde que foi divulgado que o trio estava prestes a lançar um disco de inéditas, e dessa vez conceitual (todas as canções girando em torno de um mesmo tema). O lançamento gradual de algumas músicas avulsas apimentou a coisa, até que Clockwork Angels finalmente saiu do status de lenda para enfim se tornar uma realidade conhecida (esta, pelo que acompanhei dos comentários da maioria dos fãs da banda, muito bem vinda).

terça-feira, 12 de junho de 2012

Garbage of Industry: reflexões sobre os videoclipes

12jun2012

A cantora Shirley Manson, do Garbage, declarou recentemente que a indústria da música se tornou um verdadeiro "dinossauro", incapaz de se adaptar à realidade dos downloads e da internet. Tal fato, na visão dela (e na minha também) é positivo, uma vez que quem estava nesse negócio mais motivado por dinheiro que por uma espécie de "amor a música", teve que cair fora.

Mas o estopim para que eu escrevesse o presente texto não veio dessa específica declaração, e sim de um comentário feito por um internauta em um site aí. De acordo com ele, os "mini-films independentes" que o Garbage fez das músicas novas do disco (imagino que ele está se referindo a isso) não se igualam aos videoclipes antigos da banda. Por isso, sua dedução é que eles hoje em dia seriam apenas "uma sombra do que já foram".

Discurso perigoso, a meu ver. Acho que depende do ponto de vista do qual esse sujeito está olhando. Se enxergarmos da ótica da pompa e circunstância da indústria dos anos 80 e 90; sim, o Garbage (e mais um imenso contingente de bandas e artistas) são hoje em dia meras sombras do que foram. Mas numa era onde os videos caseiros e espontâneos tem mais acessos no you tube que os clipes megaincrementados de outrora, então a coisa muda de figura.

Vide os clipes atuais dos Foo Fighters, como White Limo (todo filmado em fita VHS) pra comprovar como a questão deve ser relativizada. Estou falando de um videoclipe do disco mais aclamado dos FF, e falando da que talvez seja a banda de rock mais aclamada da atualidade. Ou seja: quem aí está reclamando de que falta glacê no bolo, precisa se perguntar se seu paladar está de acordo com o que a maioria anda saboreando.

Sintomaticamente, uma das mais interessantes séries musicais da atualidade trata exatamente desse assunto. Em Video Killed the Radio Star (transmitida, no Brasil, pelo Multishow e pelo VH1), artistas de sucesso das décadas de 70, 80 e 90 comentam sobre o processo de produção e recepção de seus videoclipes mais famosos. Para nós, cidadãos dos anos 2010, esse aspecto revisionista é uma imensa prova de que o videoclipe megaproduzido não é mais um fenômeno revolucionário.

Sou fã de carteirinha do programa, e assisto até aqueles de cujas bandas nunca simpatizei muito. Logo nas primeiras edições que vi, tive logo de cara uma certeza: não tenho mais paciência pra me sentar num sofá, e dedicar meu tempo à assistir videoclipes. As únicas pessoas que conheço com tal disposição são gente que trabalha na área de produção de video. E, por isso, a tarefa de assistir clipes serve pra eles não só como inspiração, mas também como pesquisa. São raras exceções, porque no geral, assistir videoclipes parece ser mesmo é um convite ao tédio - por melhor que seja a música. Até mesmo os DVDs de videoclipes das bandas que tanto gosto estão aqui guardados, amargando mofo e desuso.

Estou falando sobretudo do que eu acho, mas ao falar de mim, acredito que estou falando de outros tantos fãs e consumidores, que também não tem mais saco pra videoclipes grandiosos. Os que parecem (propositalmente) mal feitos, talvez até sejam suportáveis pelo elemento da auto-ironia. Seu sucesso talvez seja justificado por causa das formas com as quais o público contemporâneo tem se identificado com seus artistas favoritos. Na nossa época de shows filmados em celular e fotos amadoras, não dá mais pra acreditar que nossos estimados ídolos só existem de verdade ali dentro das imagens luxuosas das películas e das requintadas fotos produzidas em estúdio.

Voltemos a declaração de Manson, que causou todo esse texto. Não obstante, é bom lembrar-se que a palavra Garbage quer dizer, em português, lixo, refugo, sobra. Assim, em vez de pensar que a atual encarnação independente da banda é uma sombra daquela que estava filiada as gravadoras, seria bom pensar se ela não estaria de fato mais próxima do que eles realmente representam: do espírito punk, rebelde, visceral, e sem compromissos com um verniz imposto por executivos que tem como único lema "vender". 

Os clipes sempre foram um complemento mercadológico ao que realmente importa – música. E atualmente, estão voluntariamente assumindo novas formas, para o bem ou para o mal.

domingo, 14 de agosto de 2011

Fôlego, Paranóia, Tagarelice... Mineiridade


Se o facebook não é o equivalente a Ágora grega, reunindo os espíritos ansiosos por debates filosóficos e existenciais, pelo menos cumpre um pouco desse papel em nossa época. Tópicos que começam como debates informais, puro lazer de internautas, as vezes tomam proporções complexas, e podem até mesmo esboçar teorias que carregam algo de relevante.

Numa dessas discussões que, mesmo virtuais, flertam com algo do real, o amigo Renan Figueiredo lançou uma curiosa teoria sobre a estética da literatura recifense e mineira: Para ele, a marca registrada de grandes escritores do Recife seria o vasto uso de adjetivos, enquanto que literatos de Minas Gerais se caracterizariam por abundantes vírgulas ao longo de seus textos.

Entrei no espírito da teoria, lançando duas hipóteses pelas quais o escritor mineiro apresentaria essa fascinação com o recurso da vírgula nos seus manuscritos:

1) Fôlego: os mineiros estão acostumados; e os turistas sempre se espantam. Qualquer pessoa com instinto peripatético que resolva fazer um passeio a pé pelas ruas das cidades de Minas, irão se deparar com morros, morros, e morros. Não há preparo físico que resista a uns suspiros. Qualquer narrativa empreendida num desses passeios pelas colinas e montanhas da região será igualmente comprometida (assim como a qualidade do gado daqui, que tem mais osso e menos gordura pelo mesmo motivo). Minha teoria numero 1 sobre as vírgulas é que são uma representação narrativa da falta de fôlego, como um causo qualquer que se conta à alguém enquanto passeia pela cidade.

2) Noia: Mineiro não é só desconfiado dos outros, mas também tem medo da desconfiança alheia. Caso típico de projeção, desses complexos dos quais Freud já tratou há quase um século. Secular é também a fama de "bom moço" que os mineiros tem, sabe-se lá porque. Os livros de história tem versões contraditórias para os mesmos fatos, os discursos destoam da prática. O mineiro parece propenso a se justificar, mesmo quando não fez nada de errado. A vírgula, nessa minha teoria número 2, é uma representação das brechas dentro do discurso, onde o mineiro insere suas frases feitas que tem, como unico intuito, vender um peixe muito mais generoso que o pescador.

Por fim, pedi perdão pela prolixidade nos comentários, algo que vai na contramão do que alguém chamaria "boas maneiras" nos foruns da internet (leia-se "favor não transformar o aspecto descontraído da rede em longas teorizações, metafísicas transcendentes, e afins"). Entretanto, me perguntei se essa não seria outra característica literária do mineiro, além das vírgulas: compensar na escrita o silêncio desconfiado do cotidiano.

Para quem se interessar, veja aqui a discussão na íntegra do fórum original:

segunda-feira, 13 de junho de 2011


Olá pessoal!

Estou postando um desenho aqui que fiz por encomenda há alguns dias - uma ave que acabou de se levantar após um brusco tombo.

Fazia tempo que não postava nada, quase uma eternidade para a agilidade que um blog demanda. O fato é que não sou um ilustrador em tempo integral. Na verdade, sempre pensei no meu lado ilustrador como complemento às idéias que eu tinha pra quadrinhos.

Assim, o fato de que eu não ilustro com frequência certamente vai se refletir em um blog desatualizado. Mas tem outros desenhos recentes na fila que devo botar aqui em breve.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Capas personalizadas de DVDs – parte 2


Nesse tutorial, vou ensinar como fiz a capa de um DVD que criei (para uso pessoal, não comercial) da banda Kings of Convenience (clique abaixo para ver a capa maior).

Quem são os Kings of Convenience? Descubra aqui.

 
Duas coisas que você precisa ter em mãos (melhor dizendo, precisa ter no PC) para fazer as capas, além dos programas necessários, são um bom pacote de fontes, e um bom pacote de texturas. Você encontra tanto um quanto o outro na internet de diversas maneiras, em boas opções gratuitas. Ainda sobre as fontes, uma busca rápida no google vai ensinar como salvar as fontes no PC, algo que deve ser feito antes de usá-las.

Enfim, você pode pensar num layout funcional para a sua capa de duas formas: uma, é criar um visual a partir da fonte que você achar mais bacana. Por exemplo: se você cismou que quer fazer uma capa com uma fonte de estilo meio "clássico", você pode usar texturas mais clássicas (como fundos tipo madeira, palha, mármore, etc.), bordas clássicas, e tudo o mais para combinar com a fonte.

Ou você pode escolher a textura e ir testando as fontes em seguida, para ver qual combina melhor. Foi essa a alternativa que eu fiz, mas é uma saída mais preguiçosa, e pode te levar a resultados finais meio estranhos. No fim, acabei ficando satisfeito, e como as capas que criei não tem pretensões comerciais (mesmo tendo atraído o interesse de algumas pessoas que mostrei), então não me preocupei com a coerência total do visual dessas capas.

Preciso dizer que eu nunca fiz cursos profissionais de desenho ou mesmo de design. Sou autodidata nessa área, e minha escola é quase sempre a internet mesmo. Trabalho intuitivamente, tentando relativizar os resultados visuais com minha bagagem teórica de outras áreas. Acho que isso torna a aventura de criação de capas um tanto quanto interessante; é como pular de para-quedas sem a proteção necessária (mas sem o risco de se estatelar no chão, afinal, fazer uma capa de DVD é algo aparentemente inofensivo). Não é um caminho confiável, e vários erros acabam aparecendo, mas isso tudo depende do que você quer alcançar nos resultados do seu trabalho.

Usando o acaso a seu favor

Quando fui fazer a capa do Kings of Convenience, por exemplo, eu tinha idéias pré-concebidas do que queria fazer. Nada muito definido, mas havia pensado em algumas coisas. Entretanto, ao procurar as imagens para a capa, me deparei com dois desenhos tão bons, que eles acabaram mudando todos os meus planos. Foram feitos por fãs aparentemente "anônimos", mas muito talentosos. E ambos tem uma tonalidade meio marrom, meio amadeirada. Como gostei deles, acabei criando a capa baseada nessa tonalidade de cor.


Chequei um pacote de texturas que tenho no PC, e achei duas texturas de fundo que acabei usando, ambas marrons. Na parte frontal, como o tom marrom de ambas era semelhante, fiz uma borda branca para dar a diferença. Percebam que a textura usada na parte da frente é de um marrom mais escuro que o da parte traseira da capa.


Atrás, usei essa textura de marrom claro, que me permitiu não só usar o desenho dos violões abaixo sem precisar de bordas, mas também usar uma cor marrom escura para o nome das músicas. Se fosse uma textura escura demais, não ficaria legal usar fontes marrons ou pretas (talvez eu teria que usar fontes brancas). Como não usei as bordas brancas no desenho, aproveitei para usá-las na foto dos dois integrantes do Kings.

Sobre o desenho, devo mencionar alguns recursos bem legais que utilizei: primeiramente, ele é originalmente bem maior, como vocês podem ver logo abaixo:


Para caber bem na contracapa, eu o recortei, deixando os dois violões em destaque, saindo da moldura do desenho. Além de se integrar ao espaço disponível, isso evidenciou o belo recurso que o desenhista usou na cabeça do violão, desenhando duas coroas (uma alusão ao nome da banda).

Para preservar o estilo do desenho evitei ao máximo ter que "redesenhar" em cima do trabalho original. Então recortei a borda superior do desenho, e a coloquei mais abaixo, onde recortei o desenho. Apaguei alguns pedaços dela, onde os violões "saem" do quadro, e como não teve jeito, redesenhei as bordas (para anular o aspecto "recortado" em que elas estavam).



Em seguida, fiz um sombreado abaixo do desenho, que sugere idéia de profundidade. Usei esse mesmo recurso no título frontal da capa, mas por motivos diferentes: a fonte que usei deixava o nome da banda muito confuso. Por isso, o sombreamento tinha como intenção reforçar as letras. Também com essa intenção eu fiz um sombreado com cores brancas dentro das letras do título.

Esses excessivos recursos que usei no título da capa foram uma verdadeira gambiarra, que se deveu ao fato de eu ter simpatizado com essa fonte. Queria usá-la de qualquer jeito, mesmo achando que ela parecia muito confusa. Na minha teimosia, utilizei então desses artifícios, e só vim a perceber esse equívoco depois que imprimi a capa.

Por preguiça, não a refiz, e deixei assim. Como é uma capa de uso pessoal, acabei não sendo tão perfeccionista. Mas é sempre válido nessas situações imprimir versões de teste e ver como sua arte fica no papel. A impressão é sempre transformadora, e te mostra detalhes que o monitor esconde. Principalmente sobre as cores, que podem parecer de um jeito no computador, mas no papel ficam mais claras ou mais escuras (esse problema das cores aconteceu na capa que fiz para o Fleetwood Mac, da qual vou comentar a respeito em outro post).