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sábado, 4 de maio de 2013
Nietzsche, profeta do Twitter?
terça-feira, 9 de abril de 2013
O Lobo das Vertentes - um ensaio sobre Toninho Ávila
Faz tempo que quero escrever um
texto sobre a vida e obra do amigo Toninho Ávila, também conhecido como Lobo
Bruxo. Na verdade, nesse tempo que já completa mais de meia década de
amizade (all things must pass...), creio que esse texto já vinha sendo escrito,
inconscientemente. Faltava só passar para o papel (ou para a tela do
computador).
Quando me refiro a vida e obra do
Lobo, não pretendo me aventurar em redigir biografias. Quero dizer que em torno
da sua figura carismática e peculiar, parece difícil distinguir o que é vida e
o que é obra. Porque não se nota essa "quebra" entre o que Toninho
expressa artisticamente e o que ele atravessa no cotidiano. Seu viver diário é
arte; e sua arte fala do viver: ele habita em ambos, o tempo todo.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Cantando e Decantando "Paisagem da Janela"
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| Foto: Teresa Duarte - Flickr da autora |
Prefiro a definição de Joseph
Campbell, que diz que "nos mitos, encontramos personagens que ressoam
dentro de nós, e usamos os mitos para criar ordem a partir da nossa própria
experiência1". Obras de arte podem criar e recriar mitos, podem
fazê-los ressoar em corpos, mentes, corações e espíritos.
Nessa ótica, os mitos da
mineiridade tem muito a dizer para quem quer apreender tais significados. Mais
que uma bela melodia assobiável, a canção "Paisagem da Janela" é um
veículo de diversos mitos mineiros, e o fato de seu significado ser meio vago
possibilita diversas e amplas leituras. Arriscarei a minha.
domingo, 28 de outubro de 2012
Como matei Ray Bradbury
(baseado
em fatos reais, e em uma dica de Pablo Gobira)
Antes de mais nada, devo
contextualizar a questão para o juri. Dizem que o ABC da ficção científica era
composto por Asimov, Bradbury e Clarke. O A e o C já haviam batido as botas e
se tornado lendas. Na noite do dia 05 de junho, o B era ainda a única divindade
viva dentro do gênero. Ainda não era um deus ex-machina.
sábado, 15 de setembro de 2012
Marillion: A carreira da banda passada a limpo
Esse
texto, sobre a banda de rock progressivo Marillion, talvez não seja direcionado
para seus fãs. Devo dizer que ele será mais útil talvez para os que se
surpreenderam com o novo disco, Sounds That Can't Be Made (2012). Ou
para os que pretendem ir nos shows que eles farão no Brasil em outubro (depois
de mais de dez anos sem pousar aqui). Imagino que servirá também para os que só
conhecem seus grandes hits, como 'Kayleigh' e 'Lavender'. E decerto pode
agradar a quem busca um guia de referências para a história da banda.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Liz X Lisa: as musas opostas do ethereal
Música
ambiente, new age, eletrônica e doses de indie rock: estes talvez sejam
os ingredientes do ethereal, um estilo musical tão pouco difundido
quanto instigante.
Também
conhecido como dream pop ou darkwave, os artistas desse gênero
fazem com canções o equivalente ao que impressionistas como Van Gogh ou Monet
faziam na pintura. Suas marcas registradas são sonoridades esparsas, cheias de
efeitos como reverb e delay, que prolongam as notas e dão uma
idéia de largos espaços vazios, solitude, distanciamento do mundo material e
cotidiano. Há também quem vincule o ethereal à música gótica (ou gothic
rock).
Os
dois maiores nomes do gênero são os Cocteau Twins e o Dead Can Dance.
Apesar de se abarcarem sob as asas de um mesmo estilo, são duas bandas que
me parecem muito diferentes. A começar por suas principais vocalistas,
extremamente opostas entre si.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Texto - Esquinas Progressivas
Na coluna que mantenho no site Progshine, publiquei essa semana um ensaio sobre o rock progressivo e o Clube da Esquina. É a primeira
parte de duas (a segunda estará no ar no próximo domingo).
No texto, eu identifico alguns momentos da carreira dos
principais nomes do Clube (Milton Nascimento, Beto Guedes, Flávio Venturini,
etc.) onde eles se utilizaram de elementos do rock, mais especificamente na sua
vertente progressiva.
Confiram lá (e comentem, lá ou aqui!)
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Resenha – Clockwork Angels (Rush – 2012)
Tarefa
intrincada a de escrever algo no calor dos acontecimentos. Por um lado, não se
tem o distanciamento necessário para analisar friamente seu alvo. Porém, a
paixão que motiva a escrita fornece rico combustível em si mesma - lenha e
calor dentro da mesma locomotiva, um trem fascinado com os próprios vapores.
Ao
longo de 2011 e início de 2012, fãs e admiradores da banda canadense Rush se
encontravam acometidos de uma imensa espectativa – desde que foi divulgado que
o trio estava prestes a lançar um disco de inéditas, e dessa vez conceitual
(todas as canções girando em torno de um mesmo tema). O lançamento gradual de
algumas músicas avulsas apimentou a coisa, até que Clockwork Angels finalmente
saiu do status de lenda para enfim se tornar uma realidade conhecida (esta,
pelo que acompanhei dos comentários da maioria dos fãs da banda, muito bem
vinda).
terça-feira, 12 de junho de 2012
Garbage of Industry: reflexões sobre os videoclipes
12jun2012
A cantora Shirley Manson, do Garbage,
declarou recentemente que a indústria da música se tornou um verdadeiro
"dinossauro", incapaz de se adaptar à realidade dos downloads e da
internet. Tal fato, na visão dela (e na minha também) é positivo, uma vez que
quem estava nesse negócio mais motivado por dinheiro que por uma espécie de
"amor a música", teve que cair fora.
Mas o estopim para que eu escrevesse o
presente texto não veio dessa específica declaração, e sim de um comentário
feito por um internauta em um site aí. De acordo com ele, os "mini-films
independentes" que o Garbage fez das músicas novas do disco (imagino que
ele está se referindo a isso)
não se igualam aos videoclipes antigos da banda. Por isso, sua dedução é que
eles hoje em dia seriam apenas "uma sombra do que já foram".
Discurso perigoso, a meu ver. Acho que
depende do ponto de vista do qual esse sujeito está olhando. Se enxergarmos da
ótica da pompa e circunstância da indústria dos anos 80 e 90; sim, o Garbage (e
mais um imenso contingente de bandas e artistas) são hoje em dia meras sombras
do que foram. Mas numa era onde os videos caseiros e espontâneos tem mais
acessos no you tube que os clipes megaincrementados de outrora, então a
coisa muda de figura.
Vide os clipes atuais dos Foo Fighters,
como White Limo (todo
filmado em fita VHS) pra comprovar como a questão deve ser relativizada. Estou
falando de um videoclipe do disco mais aclamado dos FF, e falando da que talvez
seja a banda de rock mais aclamada da atualidade. Ou seja: quem aí está
reclamando de que falta glacê no bolo, precisa se perguntar se seu paladar está
de acordo com o que a maioria anda saboreando.
Sintomaticamente, uma das mais interessantes
séries musicais da atualidade trata exatamente desse assunto. Em Video
Killed the Radio Star (transmitida, no Brasil, pelo Multishow e pelo VH1),
artistas de sucesso das décadas de 70, 80 e 90 comentam sobre o processo de
produção e recepção de seus videoclipes mais famosos. Para nós, cidadãos dos
anos 2010, esse aspecto revisionista é uma imensa prova de que o videoclipe
megaproduzido não é mais um fenômeno revolucionário.
Sou fã de carteirinha do programa, e assisto
até aqueles de cujas bandas nunca simpatizei muito. Logo nas primeiras edições
que vi, tive logo de cara uma certeza: não tenho mais paciência pra me sentar
num sofá, e dedicar meu tempo à assistir videoclipes. As únicas pessoas que
conheço com tal disposição são gente que trabalha na área de produção de video.
E, por isso, a tarefa de assistir clipes serve pra eles não só como inspiração,
mas também como pesquisa. São raras exceções, porque no geral, assistir
videoclipes parece ser mesmo é um convite ao tédio - por melhor que seja a
música. Até mesmo os DVDs de videoclipes das bandas que tanto gosto estão aqui
guardados, amargando mofo e desuso.
Estou falando sobretudo do que eu acho, mas
ao falar de mim, acredito que estou falando de outros tantos fãs e
consumidores, que também não tem mais saco pra videoclipes grandiosos. Os que
parecem (propositalmente) mal feitos, talvez até sejam suportáveis pelo
elemento da auto-ironia. Seu sucesso talvez seja justificado por causa das
formas com as quais o público contemporâneo tem se identificado com seus
artistas favoritos. Na nossa época de shows filmados em celular e fotos
amadoras, não dá mais pra acreditar que nossos estimados ídolos só existem de
verdade ali dentro das imagens luxuosas das películas e das requintadas fotos
produzidas em estúdio.
Voltemos a declaração de Manson, que causou
todo esse texto. Não obstante, é bom lembrar-se que a palavra Garbage quer
dizer, em português, lixo, refugo, sobra. Assim, em vez de pensar que a atual
encarnação independente da banda é uma sombra daquela que estava filiada
as gravadoras, seria bom pensar se ela não estaria de fato mais próxima do que
eles realmente representam: do espírito punk, rebelde, visceral, e sem
compromissos com um verniz imposto por executivos que tem como único lema
"vender".
Os clipes sempre foram um complemento
mercadológico ao que realmente importa – música. E atualmente, estão
voluntariamente assumindo novas formas, para o bem ou para o mal.
domingo, 14 de agosto de 2011
Fôlego, Paranóia, Tagarelice... Mineiridade
Se
o facebook não é o equivalente a Ágora grega, reunindo os espíritos
ansiosos por debates filosóficos e existenciais, pelo menos cumpre um pouco
desse papel em nossa época. Tópicos que começam como debates informais, puro
lazer de internautas, as vezes tomam proporções complexas, e podem até mesmo
esboçar teorias que carregam algo de relevante.
Numa
dessas discussões que, mesmo virtuais, flertam com algo do real, o amigo Renan
Figueiredo lançou uma curiosa teoria sobre a estética da literatura recifense e
mineira: Para ele, a marca registrada de grandes escritores do Recife seria o
vasto uso de adjetivos, enquanto que literatos de Minas Gerais se
caracterizariam por abundantes vírgulas ao longo de seus textos.
Entrei
no espírito da teoria, lançando duas hipóteses pelas quais o escritor mineiro
apresentaria essa fascinação com o recurso da vírgula nos seus manuscritos:
1)
Fôlego: os mineiros estão acostumados; e os turistas sempre se espantam.
Qualquer pessoa com instinto peripatético que
resolva fazer um passeio a pé pelas ruas das cidades de Minas, irão se deparar
com morros, morros, e morros. Não há preparo físico que resista a uns suspiros.
Qualquer narrativa empreendida num desses passeios pelas colinas e montanhas da
região será igualmente comprometida (assim como a qualidade do gado daqui, que
tem mais osso e menos gordura pelo mesmo motivo). Minha teoria numero 1 sobre
as vírgulas é que são uma representação narrativa da falta de fôlego, como um
causo qualquer que se conta à alguém enquanto passeia pela cidade.
2)
Noia: Mineiro não é só desconfiado dos outros, mas também tem medo da
desconfiança alheia. Caso típico de projeção, desses complexos dos quais Freud
já tratou há quase um século. Secular é também a fama de "bom moço"
que os mineiros tem, sabe-se lá porque. Os livros
de história tem versões contraditórias para os mesmos fatos, os discursos
destoam da prática. O mineiro parece propenso a se justificar, mesmo quando não
fez nada de errado. A vírgula, nessa minha teoria número 2, é uma representação
das brechas dentro do discurso, onde o mineiro insere suas frases feitas que
tem, como unico intuito, vender um peixe muito mais generoso que o pescador.
Por
fim, pedi perdão pela prolixidade nos comentários, algo que vai na contramão do
que alguém chamaria "boas maneiras" nos foruns da internet (leia-se
"favor não transformar o aspecto descontraído da rede em longas
teorizações, metafísicas transcendentes, e afins"). Entretanto, me
perguntei se essa não seria outra característica literária do mineiro, além das
vírgulas: compensar na escrita o silêncio desconfiado do cotidiano.
Para
quem se interessar, veja aqui a discussão na íntegra do fórum original:
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Olá pessoal!
Estou postando um desenho aqui que fiz por encomenda há alguns dias - uma ave que acabou de se levantar após um brusco tombo.
Fazia tempo que não postava nada, quase uma eternidade para a agilidade que um blog demanda. O fato é que não sou um ilustrador em tempo integral. Na verdade, sempre pensei no meu lado ilustrador como complemento às idéias que eu tinha pra quadrinhos.
Assim, o fato de que eu não ilustro com frequência certamente vai se refletir em um blog desatualizado. Mas tem outros desenhos recentes na fila que devo botar aqui em breve.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
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